Acesso à Cidade de Murici(1)

Reduto de Renan é 2ª cidade onde mais se mata a bala no Brasil

Por mais que tenha havido uma redução de 18% dos números oficiais da violência em Alagoas no primeiro ano do governo de Renan Filho (PMDB), os dados expostos nesta quinta-feira (25) pelo Mapa da Violência 2016 foram um tiro mortal no “legado de serviços prestados” atribuído ao presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), considerado um dos políticos mais poderosos do Brasil durante a última década. O exemplo mais absurdo dessa relação entre o empoderamento de Renan e o descaso mortal relegado a Alagoas é o fato de a 2ª cidade brasileira onde mais violenta do Brasil ser Murici, terra natal do senador alagoano, dominada politicamente pelo seu clã Calheiros há 60 anos.

O estudo do pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz revela que 22 das 100 cidades onde mais se mata a tiros no Brasil estão em Alagoas. A 3ª mais violenta do País também é a cidade alagoana de Satuba, confundida facilmente com um bairro de Maceió, que é a 2ª capital mais violenta do Brasil e 22ª cidade com mais vítimas fatais de armas de fogo, de acordo com o mesmo estudo. Assim como Murici, Satuba faz parte da região metropolitana de Maceió.

Outro dado alarmante é o de que o número de homicídios por armas de fogo cresceu 141,1% em Alagoas, durante os dez anos em que Renan Calheiros foi o principal aliado do Palácio do Planalto, entre 2004 e 2014, e após o político ter sido ministro da Justiça do governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1998 e 1999. Enfim, Alagoas obteve o maior índice de assassinatos por arma de fogo do País, com 56,1 homicídios para cada 100 mil habitantes, em relação a 2014.

O Mapa da Violência 2016 – Homicídios por armas de fogo no Brasil detalha ainda que o número de homicídios por arma de fogo em Alagoas disparou de 754 assassinatos em 2004, para 1.818 em 2014, período entre o final do governo estadual de Ronaldo Lessa (PDT) e os dois mandatos de Teotonio Vilela Filho (PSDB), ambos ex-aliados de Renan Calheiros.

O índice considerado tolerável pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 10 homicídios por arma de fogo a cada 100 mil habitantes. Portanto, na terra de Renan Calheiros, mata-se a tiros dez vezes mais do que o número tolerado pela ONU. A taxa de Murici é de 100,7 mortes à bala por 100 mil habitantes. Um problema cuja dimensão é impossível de não ser percebida por gestores de uma cidade com população média de 43 mil habitantes.

Renan Filho (Márcio Ferreira)

O herdeiro e sua herança

O governador Renan Filho, herdeiro dos votos de seu pai e dessa tragédia ignorada pelos Calheiros, foi prefeito de Murici em parte desse trágico período. Seu discurso é de que começou a resolver o problema agora, no exercício do cargo de governador.

Mas o problema não pode ser atribuído apenas à ausência de políticas públicas tocadas pelo governo estadual ou federal. Afinal, como Renan Filho costuma afirmar, o relativo sucesso da redução da violência em Alagoas tem relação com o apoio político que seu governo recebe de seu pai na Presidência do Senado, onde Renan Calheiros esteve no início e no final do período dessa evolução mortal da violência em Murici e em Alagoas.

A tragédia alagoana é tão impactante que o avanço no índice de assassinatos por arma de fogo no Estado dominado por Renan Calheiros puxou a alta de homicídios no Nordeste, com taxa de 32,8 mortos à bala por 100 mil habitantes.

Com taxa de 44,5 mortos à bala por 100 mil habitantes, Maceió avançou em 60,6% no número de homicídios por arma de fogo, saindo de 442 assassinatos em 2004, para 710 em 2014. Mas registrou retração de 12,5% no número de assassinatos entre 2013 e 2014, quando Alagoas também recuou 2,9%.

Veja os 22 municípios alagoanos que estão entre os 100 mais violentos do Brasil:

2ª Murici – taxa de 100,7 mortos à bala por 100 mil habitantes

3ª Satuba – taxa de 95,5

6ª Pilar – taxa de 92,5

11ª Marechal Deodoro – taxa de 85,2

15ª Rio Largo – taxa de 80,5

18ª Arapiraca – taxa de 79,7

21ª Maceió – taxa de 77,2

31ª Coruripe – taxa de 66,7

36ª São Sebastião taxa de 64,8

38ª Santana do Ipanema – taxa de 64,1

39ª Piaçabuçu – taxa de 63,9

40ª São José da Laje – taxa de 63,6

41ª São Miguel dos Campos – taxa de 63,3

58ª Capela – taxa de 58,2

45ª Joaquim Gomes – taxa de 62,3

63 ª Viçosa – taxa de 56,5

71ª Atalaia – taxa de 54,8

75ª Maribondo – taxa de 53,8

76ª Cajueiro – taxa de 53,7

81ª Palmeira dos Índios – taxa de 52,8

84ª Teotônio Vilela – taxa de 52,6

88ª Messias – taxa de 51,2

Durante a solenidade em comemoração ao Dia do Soldado, o governador Renan Filho comentou os dados da nova pesquisa, ressaltando, como esperado, a redução da violência obtida no primeiro ano de seu governo, em 2015.

“É verdade mesmo que aqui ainda é violento, que aqui se mata muita gente, se mata negros, pessoas mais pobres que, muitas vezes associadas ao tráfico terminam morrendo. Quando fui candidato a governador eu disse que iria responder pessoalmente pela segurança, porque a tarefa é muito dura e exige a determinação do governador e temos feito isso. No final desse ano, vai sair o número com relação a 2015 e vocês vão ver que Alagoas deu um grande salto com relação ao Brasil na redução da violência”, disse o governador, quando questionado sobre o Mapa da Violência.

Diariodopoder

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