833a3e82-a462-4c8f-b5a2-d9fe5c2a401c

Na reta final do impeachment, Renan Calheiros ainda vende a imagem de isento

Há muito que falo aqui da habilidade enxadrista do senador Renan Calheiros (PMDB). Na reta final do impeachment, conforme bastidores, Calheiros já admite a possibilidade de votar, o que não fez nas votações anteriores, apoiando-se em um discurso de isenção e da função do cargo.

Bem, na sessão em que Dilma Rousseff  (PT) foi transformada em ré, Renan Calheiros não presidiu. Poderia ter votado, mas não o fez. Difícil mesmo é acreditar na isenção de Renan Calheiros. O histórico de ações recentes de Calheiros é intimamente ligado ao Partido dos Trabalhadores. Não se trata apenas de ter sido citado na Operação Lava Jato, pois oposicionistas também foram.

Trata-se das alianças históricas, inclusive em Alagoas, onde o PT – nos últimos anos – foi um puxadinho do PT. Em 2014, nas eleições presidenciais e governamentais, Dilma Rousseff foi aliada de Renan Calheiros e do governador Renan Filho (PMDB) se fazendo presente em palanque. Além disto, Renan Calheiros dependeu (e muito!) do PT para chegar novamente ao cargo de presidente do Senado Federal.

Sempre manteve uma aliança tensa com Dilma, pois fica claro que não há confiança de total de um para com o outro, mas nos bastidores Calheiros sempre trabalhou em favor do Partido dos Trabalhadores.

No entanto, como é um hábil enxadrista consegue “fritar o peixe mantendo o olho no gato”, ou, para usar de outra expressão que aqui já usei, se investe da capacidade de atravessar o mar com um pé em cada canoa. Se uma virar, coloca os dois pés na outra que está firme em águas turbulentas.

Assim é Renan Calheiros. Um dos homens mais poderosos da República que joga xadrez como ninguém. Tanto é assim que, na reta final, Calheiros esteve reunido com a presidente afastada Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada em Brasília. Em pauta, o julgamento final do impeachment que se inicia no dia 25 de agosto.

Renan Calheiros fez – ao lado da presidente – uma relação de conjuntura. Eis que cai por terra a tese de o “isentão da República”. O peemedebista confirmou – em entrevista à imprensa – que Dilma vai comparecer ao julgamento e responder questionamentos durante o depoimento previsto para o dia 29 de agosto. O processo deve se encerrar no dia 30, com a votação final.

Calheiros, o “isento”, vendeu a imagem de uma presidente “animada”. “Do ponto de vista pessoal, como sempre, ela está muito bem, animada”, diz o presidente do Senado Federal. Em relação a posição que o senador deve assumir na última votação, ele responde: “Eu disse que não votaria na admissibilidade, não votaria na pronúncia e pretendia não votar no julgamento. Eu estou, permitam-me, em pleno processo de decisão. Como presidente do Senado Federal eu procurei sempre estar em todos os momentos com isenção e responsabilidade.”

Isenção? Não sei se esta é a palavra adequada. Calheiros simplesmente colocou seu termômetro nas águas turvas, estendeu sua biruta diante da tempestade e vive revisitando os dados destes instrumentos a cada passo para decidir para onde rumar o barco ou para que lado deve alçar voo. Renan Calheiros quer construir seu céu de brigadeiro em meio aos acontecimentos mais graves da República.

Seu gesto final, no dia 30 de agosto, será sua aposta, mas não sem o conhecimento pleno das consequências. Este é Renan Calheiros.

cadaminuto

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com