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Collor diz que últimos anos do governo afastado foram “portfólio de desastres”

Em discurso na sessão que analisa se a presidente Dilma Rousseff (PT) vira ré no processo de impeachment, o senador Fernando Collor (PTC) avaliou que o Brasil precisa virar a página e projetar-se para “as mudanças do futuro”. Sob o olhar atento dos colegas senadores, o parlamentar atestou como “inegável que, na gestão do País nos últimos anos, há diversos elementos determinantes que apontam o crime de responsabilidade”.  Diante do resultado das ações do governo afastado ao longo dos últimos meses, o senador apontou um ”portfólio de desastres”.

De acordo com Collor, desde o ano de 2013, as infrações fiscais e orçamentárias eram apontadas publicamente por órgãos de controle, técnicos do próprio governo e por todos os meios. Ele ressaltou que, diante de tantos alertas, o Palácio do Planalto tinha ciência dos avisos sobre os crimes e as respectivas punições para os atos. Para o parlamentar, é fato que o resultado dos últimos anos do governo afastado foi um autêntico portfólio de desastres.

Confira, na íntegra, o discurso do senador. 

“Há elementos determinantes de um tipo de crime: o de responsabilidade. Responsabilidade no sentido de dever e sensatez na forma de agir. Responsabilidade como culpa de um insucesso, como dolo de um flagelo. Este é o cerne do desalinho jurídico e do desastre político de um poder que se esvaiu. Na condução de um governo, crime de responsabilidade é a irresponsabilidade por tudo de ilegal – enquanto ato de ofício – ou de desídia – enquanto ação política”, expressou.

Ele lembrou que, em 2010, o governo recebeu o País em razoável ordem nos fundamentos econômicos para o progresso, além de estabilidade político-institucional e, principalmente, motivação social. Mas desde o início daquela gestão, lembrou Collor durante a sessão no Senado, o Brasil entrou numa arena movediça, tanto no trato político como na insistência com a matriz econômica que já mostrava sua inviabilidade.

“O resultado deste cenário recente é o desastre fiscal, financeiro, orçamentário, econômico, político: um autêntico portfólio de desastres. É um catálogo que supera qualquer motivo para o que seria, no parlamentarismo, um mero voto de desconfiança ou um eventual desfazimento de gabinete. A partir de 2013, ao desprezar a voz pura das ruas, ao menosprezar experiências anteriores e ao levitar acima da obviedade das crises, o governo tornou-se apartado da população, desconectado da realidade”, colocou.

Ele lembrou que sofreu processo análogo no Congresso e, portanto, conhece os infortúnios, as amarguras, a solidão e o desgosto de um governante nessa situação. Apesar de relatar um desconforto com relação ao processo, Collor disse que, mais uma vez, vai cumprir o seu dever, neste caso, “o dever de analisar o mérito de uma acusação”. “Condenaram-me politicamente. Penalmente, fui absolvido pela Suprema Corte”, frisou. Ele ponderou ainda que o atual processo de impeachment baseia-se em pontos já analisados, discutidos e materializados como atos ilegais.

“Se a participação da presidente foi comissiva ou omissiva, culposa ou dolosa, explícita ou tácita,… há de se ter o juízo”, pontuou. Ainda segundo o senador, para que não restem apenas escombros sociais é preciso suplantar as crises, estabilizar as instituições, avançar na democracia, remodelar o Estado, reaglutinar a sociedade para, então sim, purificar a atmosfera de ressentimentos.

gazetaweb.globo.

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