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A pior doença do eleitor é o voto no “amigo do primo”

Às vésperas da eleição de 2014, fui parado no calçadão da orla da Jatiúca, onde eu fazia atividade física, por um velho conhecido, que tem uma banca de revista tradicional por lá.

Ele me apresentou a um homem que me pareceu ter a minha idade e que queria conversar comigo sobre candidaturas e campanhas.

Foi uma conversa rápida, e me logo me dei conta de que ele não tinha qualquer dúvida em quem iria votar. Era um voto, o dele – e o do filho também, conforme me disse – “politizado”.

Revelou as suas escolhas e as suas motivações.

Mas eis que vieram os candidatos a deputado estadual e a deputado federal – os dois, pai e filho-, destoando inteiramente das suas escolhas majoritárias.

Eram nomes de uma turma que você não receberia na sua casa, até pelo perigo em relação à segurança da sua família – e sei que você me entende.

Eu nada disse, mas ele notou a minha decepção e se explicou: “Eles são amigos de um primo meu, que me pediu o voto”.

Eis um mal terrível, uma doença do nosso eleitor: votar em alguém para atender a um pedido de parente ou de um amigo.

Esclareço: quando o argumento não é político, mas “de amizade”.

Este é um voto, e o caso para mim ali era claro, perdido pela sociedade: um eleitor politizado, que desdenhava do seu papel na eleição proporcional. Como se ela não tivesse importância nenhuma – mas tem e muita.

Eu sei que é um apelo muito comum a cada eleição, mas o seu atendimento custa muito caro, tantas vezes, à população.

E, cá para nós: uma pessoa que gosta de você, parente ou não, haveria de lhe pedir para prejudicar a sociedade?

Eis uma doença da qual precisamos – e podemos – nos curar.

Mui amigo, o tal primo!

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